sábado, fevereiro 19

NOITE


Noite...
não durmo,
não sei porquê!

Penso...
sim, penso,
a minha mente,
turbilhão de pensamentos,
procura coordenar
a mensagem que cada um trás,
não me deixa parar!

Aqui estou...
sim, aqui estou,
procurando saber,
tentando responder
às perguntas por fazer.

Procuro...
sim, procuro,
não sei o quê!
talvez o porquê dos porquês,
aquilo que não sei!

Porventura, procuro soluções,
ou, tão simplesmente,
aquilo que sou.
Navego num oceano de incertezas
à espera de encontrar outrem,
que nele navegue como eu,
que se encontre perdido dentro de si,
tal como eu me encontro.

Imagino...
sim, imagino!
imagino e sonho,
fabrico desejos e imagens,
realizações fantasmas,
imagens egoístas, de mim,
só para mim,
objectos telúricos, que povoam a minha mente,
deixando cada vez mais este mundo material
e fazendo parte do meu tesouro,
tesouro do meu imaginário,
perlavado de sentimentos insanos.

Escuto...
sim, escuto este silêncio,
duro e envolvente,
enredando-me na sua zunideira,
fazendo-me parecer único,
convidando-me à introspecção
e a fazer sair de dentro de mim
o que dentro de mim tenho.

Sinto...
sim, sinto que sou,
sinto como sou,
mas não me compreendo.
Sinto que há tanto para mudar,
tanto para fazer,
tanto para Amar!
Oh! meu Deus!
tão ignóbil pode ser este ser,
que gasta a vida,
esbanja o seu esforço
nos mais fúteis artifícios,
na procura do inútil,
engendrando conceitos pejados de mentiras,
alimentando dúvidas e ódios,
suscitando desavenças,
com o único objectivo de alcançar o prazer?

Espero...
sim, espero!
Espero ver perdoar,
sentir espontaneidade

ao ouvir desculpar,
sabendo que há calor,
que há verdade
em quem perdoa
e humildade no que toma o perdão.

Que bom!...
sim, que bom saber,
que mesmo no meio da solidão,
mesmo com todos os meus defeitos,
tenho ainda Amigos,
mesmo com defeitos,
não sendo perfeitos
os quais são, muito sinceramente,
verdadeiros Irmãos.

Pensei...
assim pensei,
não sei porquê,
sonhando acordado
durante essa noite,
depois...
depois, dormi!...

Jó Carvalho

Lisboa 1989

 

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