quarta-feira, março 23

"ROUBADO" do CONVICÇÕES

Hoje sonhei...

Equinócio da Primavera. Mas já estava calor!

Sonhei que estava sol, que estava calor e que já se podia ir à praia.

Aliás, eu estava sentada na praia. Não havia ninguém. Só eu, sozinha, e a praia.

Vi as ondas do mar afagarem as rochas e molharem a areia, salpicando-a com conchas e estrelas-do-mar.

Sentada, observava a quietude da natureza e o mar que ia e vinha, passeando as conchas.

Eu sozinha na praia, sentada, a ler o jornal, a devorar as primeiras notícias matinais.

Em destaque, primeira página, em letras garrafais:

" Americanos descobrem finalmente a vacina para o HIV e a cura para cancro !";
" Decretado o fim da guerra. Retirada de tropas teve início já pelo final do dia de ontem."
" Ajuda humanitária contempla finalmente mais 1 milhão de crianças em todo o mundo".

E aqui, aqui na praia, o calor despontava, e o sol teimava em roçar-me a ponta nariz com os seus raios maliciosos.

A linha do horizonte parecia perdida numa pequena névoa rosada, enquanto que o sol fazia rodopiar os seus raios num pequeno frenesim gritante: "Deixem-nos subir, deixem-nos subir para iluminarmos tudo, deixem-nos subir para se ver melhor!".

O clanque dos chocalhos denunciava as cabras, que agora começavam a descer a falésia para o seu repasto matinal.

Tudo era silêncio e respirava tranquilidade. Tudo menos os chocalhos das cabras…

Pousei o jornal e levantei-me. Respirei fundo a leve brisa matinal e aproximei-me do mar.Mais uma pequena onda invadia a areia salpicando uma concha…e molhava-me o pé.

Não hesitei!

Mergulhei na água tépida, lavando comigo todas as inquietudes e os chocalhos das cabras...

Uma pequena avioneta quebrava a voz da natureza e aproximava-se, minúscula, no céu. Observei-a de dentro de água.

E começou a soltar pequenos pedaços de papel que rapidamente desciam, em direcção à areia e ao mar…. Pareciam pequeninos, mas à medida que se aproximavam, definiam-se: eram verdadeiras páginas que voavam e rodopiavam pelo ar!

Já não se via a areia....Só o mar coberto de folhas de um papel acinzentado, a névoa do horizonte que agora não queria desaparecer, e a avioneta que soltava milhares de folhas. E soltava, e soltava…

A areia, agora coberta de papel e o som dos chocalhos.

E a praia dizia:

" Americanos descobrem finalmente a vacina para o HIV e a cura para cancro !";
" Decretado o fim da guerra. Retirada de tropas teve inicio já pelo final do dia de ontem."
" Ajuda humanitária contempla finalmente mais 1 milhão de crianças em todo o mundo".

Um pé aqui, outro ali...para não molhar os jornais...

Sentei-me ao som dos chocalhos e do sol teimoso, na imensidão nas novidades:

" Americanos descobrem finalmente a vacina para o HIV e a cura para cancro !";
" Decretado o fim da guerra. Retirada de tropas teve inicio já pelo final do dia de ontem."
" Ajuda humanitária contempla finalmente mais 1 milhão de crianças em todo o mundo".

Observei uma cabra atrevida que ousadamente explorava as dunas. Não havia repasto ali...

Clanque clanque clanque das cabras e novamente o som da avioneta que se ia afastando no ar.

Os meus pulmões explodiam da alegria:

- Volta e traz mais notícias, traz mais notícias!!, acenava eu de braços expostos ao céu, desnudados no silêncio ávido de quem quer devorar todo o conhecimento do mundo num só instante!

Deitei-me no chão, descoberta e livre...

E senti os meus pés molhados já aquecidos!

Que macios eram os jornais... e mesmo por debaixo da minha cabeça, as palavras 'cura para o cancro' roçavam-me a nuca e o entendimento…

Virei-me para o lado e reparei na cabra, curiosa e atrevida que me fitava.

- Olha, anda cá! Anda cá bichinha, que te vou contar o que está aqui no chão. Anda cá!

- Deixa-me contar-te a novidade do chão que pisas! Anda cá!

- Méeeeeeeeeeeeee...e o seu chocalho soou e estremeceu a praia, sol e as folhas de papel que levitavam, agora, no chão!

- Méeeeeeeeeeeeeeee

E eu abri os olhos... e não havia praia, não estava sol, nem haviam os jornais. Anda cá… Onde estás?? Onde estás tu??
Canque, clanque.

Andá cá, repeti várias vezes, anda cá...Mas nem um vislumbre da cabra...

- Ohhhhhhhhh...

E uma lágrima soltou-se-me do olho, e as palavras soltaram-se da voz. Murmurei…

Sonhei.... Hoje, sonhei…

E limpei a lágrima triste com o meu dedo desapontado…

Da Elaine, para o Mundo inteiro!

Ostara, manhã de 22 de Março, ano cristão de 2005 – 8:20 am
( COISAS recomenda CONVICÇÕES )

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