segunda-feira, junho 20

A corrida de canoa...


Era uma vez a equipa portuguesa de canoagem

Uma sociedade portuguesa e outra japonesa decidiram desafiar-se todos os anos numa corrida de canoa, com oito homens cada.

As duas equipas treinaram duramente, e quando chega o dia da corrida cada equipa estava no melhor da sua forma. No entanto os japoneses venceram com mais de um quilómetro de vantagem.

Depois da derrota, a equipa estava desanimada. O director Geral decidiu que no ano seguinte deveriam ganhar e por isso criou um grupo de trabalho para examinar a questão.

Depois de vários estudos, o grupo descobriu que os japoneses tinham sete remadores e um capitão.

No entanto, a equipa portuguesa só tinha um remador e sete capitães.

Face à situação de crise, o Director Geral fez prova de grande sabedoria: contratou uma empresa de auditoria para analisar a estrutura da equipa portuguesa.

Depois de longos meses de trabalho, os especialistas chegaram à conclusão de que na equipa havia capitães a mais e remadores a menos. Com base no relatório dos especialistas, foi decidido mudar a estrutura da equipa.

Haveria agora quatro comandantes, dois supervisores, um chefe dos supervisores, e um remador. Concluindo, intruduziram-se uma série de novas medidas para motivar o remador: “Devemos melhorar o quadro de trabalho, motivá-lo e atribuir-lhe mais responsabilidade”.

No ano seguinte os japoneses venceram com dois quilómetros de vantagem.

Os responsáveis da sociedade despediram o remador por causa dos maus resultados no seu trabalho.

No entanto foi entregue um prémio aos restantes membros recompensando-os pela forte motivação que incutiram na equipa.

O director Geral prepara uma nova análise da situação, na qual fica demonstrado que foi escolhida a melhor táctica, que a motivação era boa mas que o material devia ser melhorado. Neste momento estão a ponderar a substituição da canoa.

nota: a história passa-se com nipónicos; espero que não me acusem de xenófobo.

domingo, junho 19

A VERDADE VEM SEMPRE ACIMA

PARA QUEM DUVIDAVA DO REAL VALOR DA SELECÇÃO GREGA:

Classificação do grupo B da Taça da Confederações:

1. México 6 pontos
2. Brasil 3
3. Japão 3
4. Grécia 0


Nem um golo marcado, só derrotas e a qualificação para o Mundial 2006, por um fio...

Grande futebol têm os gregos!!!

GRANDE TIAGO


GP EUA: Tiago terceiro

Tiago Monteiro (Jordan-Toyota) tornou-se hoje o primeiro piloto português a subir ao pódio de uma corrida de Fórmula 1, ao terminar em terceiro no Grande Prémio dos Estados Unidos, nona prova do Mundial, ganho pelo alemão Michael Schumacher (Ferrari).

in:record edição online

quinta-feira, junho 16

sábado, junho 11

A Hélia

De dia para dia, cada vez mais gosto de visitar e participar nesta roda de gente bonita; perdem-se uns vícios, ganham-se outros (bem mais saudáveis. O fumo já era...):

A Hélia


Há muitos anos, ainda longe da moda, já a Hélia andava com o umbigo à mostra. Mostrava assim que era humana e não um andróide qualquer. Eu, que nunca gostei de andróides, tinha a esperança que um dia pudéssemos ter acesso directo a esse bilhete de identidade natural do humano. Talvez fosse bom que também os homens andassem com o umbigo à vista: poderíamos confirmar melhor a natureza inumana de algumas bestas.
Mas a Hélia tinha a vantagem de ter um umbigo que dava gosto ver.
Conheci-a numa praia africana, quando andava à procura de estrelas do mar. Eu e ela. Uma coincidência. Coincidência também de nem eu nem ela termos encontrado uma estrela do mar que fosse. Bom... eu encontrei-a a ela: uma estrela quente, brilhante, luminosa e sensual. A arte de envolver, em pessoa. Foi em África. Só podia ser em África encontrar tão grande e bela luminosidade. Foi um fogo que ardia em chama viva, derretia as entranhas e fazia desejar os infernos. Corríamos como doidos pelas areias escaldantes, fugindo cada pé do fogo de quartzo, desejando voar até à próxima sombra para não sofrer os horrores dos pés queimados e prometendo não mais andar descalços por ali.
Mas Hélia era um apelo à nudez. Nudez total. Nem sapatos, nem chapéus, nem lenços, nem tatuagens, nem alianças...
Vivemos demasiado perto do frio. Estamos a apenas trezentos graus do zero absoluto que é a morte. Do lado do calor temos milhões de graus de possibilidades. É no calor que se preparam os novos mundos e os novos universos. É o calor que tudo recicla até à exaustão da absoluta novidade. Hélia foi e será, para mim, essa total liberdade da vida e da emoção, esse potencial de renovação e de sobrevivência, em suma a marca absoluta do amor.
Depois, separadamente, regressámos. Aqui ela é menos Hélia do que era. E eu também me tornei menos sensível aos seu encantos. O tempo passa à mesma velocidade para toda a gente, mesmo quando não parece, e os destinos vão-se construindo com afastamentos e aproximações mais ou menos aleatórias.
Um dia destes telefono-lhe para saber das suas aventuras. Saber como se tem dado com os novos tempos, com as novas políticas, com o novo mundo.
Mas não há-de ser agora. Não quero que saiba que estou com a Chris. Ela não compreenderia. É difícil imaginar personalidades mais antagónicas.
Lembrei-me de Hélia, ontem à tarde, quando estava com a Chris na praia de Carcavelos. O excesso de luminosidade impedia-me de me concentrar na leitura e o calor na cabeça levou-me para as memórias de Hélia. A Chris enchia todo o espaço debaixo do chapéu de sol e ia-se arrefecendo com cornetos e aquecendo com bolas de berlim e línguas de sogra caseiras. O ambiente estava ainda mais barulhento do que é costume. Até passaram por cima de mim a correr, para além de levar boladas e com chapéus de sol voadores. Só à noite é que vi no telejornal que tinha havido um tsunami humano na praia de Carcavelos. Não dei por nada. Tenho que reconhecer que a proximidade da Chris me protege.

Ivo Cação

in: dias que voam - blog

 

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