Três manchetes escolhidas ao acaso, no conjunto da imprensa nacional, num só dia, revelam-se esclarecedoras acerca do peso das questões económicas nas eleições de 5 de Junho. Portugal está de rastos, empobrecido até à medula, embrulhado em pessimismo e carregando aos ombros a percepção de que pagar a ajuda pedida ao estrangeiro não se assumirá como fácil, numa situação de fraco crescimento económico e juros pesados. A solidariedade europeia já se denunciou: é coisa frágil, que busca compensação e ganhos com taxas nos empréstimos mais altas do que as que o tão temido FMI nos tenciona cobrar .
A herança de Sócrates é pesadíssima e deixa cicatrizes que várias gerações não conseguirão remover. Como dizia, há dias, António Barreto, insuspeito e frontal, o primeiro-ministro ainda em exercício merece severa punição. O seu desfasamento da realidade e o percurso irresponsável, aventureirista e demagógico da sua governação conduziram Portugal a um beco sem saída. Admira como as sondagens, mesmo assim, lhe conferem um potencial de angariação de votos acima dos 30 por cento. Não pode tratar-se de memória curta. Mesmo o eleitorado de esquerda não ignora o desastre para que o País foi conduzido. Podem procurar-se muitas explicações, mas o essencial resume-se à deficiente comunicação que o PSD tem demonstrado relativamente às suas propostas, bem como à aparente dificuldade em dar delas a ideia de que constituem um edifício assente em convicções firmes e raciocínios fundamentados. Passos Coelho parece querer acertar a marcha ao salientar, publicamente, que quem manda no partido é ele e que só a sua palavra o vincula. Pretendeu, assim, colocar ordem numa orquestra em que cada cabeça sua sentença. A questão da Taxa Social Única surgiu no centro do debate político por iniciativa dos social-democratas e foi acompanhada da polémica que o PS desencadeou ao argumentar que o PSD se prepararia para fazer um brutal aumento de impostos. Já se percebeu que o acordo com a tríade estrangeira que nos vai emprestar 78 mil milhões prevê uma redução substancial da TSU, facto que Sócrates gostaria que passasse o mais despercebido possível. Desta vez, a ocultação acabou por não funcionar e a dissimulação não resistiu, sendo desmascarada. Os debates televisivos entre os líderes, abstraindo a falta de novidade em matéria de forma, propostas e argumentos, revelaram-se, até agora, úteis a escancarar a falta de verdade e mesmo de vergonha. Passos Coelho, com clareza, e Paulo Portas, por meias palavras, já disseram que não estão disponíveis para um Governo com Sócrates. A essa luz, a pergunta óbvia: então porque não se coligaram antes das eleições?
PORTUGAL ENCOLHE
Segundo a Organização das Nações Unidas, é possível Portugal ficar reduzido a menos de sete milhões de habitantes no fim do século. O envelhecimento é fatal mas a baixa natalidade ainda mais. O problema é que sem emprego e sem estabilidade a vida dos jovens se adia. Os políticos não pensam nisso?
ESTÁDIOS? OUTRA VEZ? NÃO!
Gilberto Madail alega que o Estádio Nacional pode deixar de ser palco da final da Taça. Diz que sem investimentos não há condições de segurança. Até pode ter razão, mas é óbvio que o País não aguenta mais dinheiro para estádios. Já temos elefantes-brancos de sobra.
"POR ESTE MUNDO ACIMA"
Assim se chama o novo romance de Patrícia Reis. É posto à venda na próxima terça-feira, dia 17 de Maio. A literatura contemporânea tem feito aparecer alguns excelentes autores.
Nunca é de mais acarinhar quem se aventura, com talento e persistência, pelos caminhos da escrita.
NOTAS: Escala de 0 a 20
EDUARDO CATROGA: 14
Converteu-se numa estrela da política. Abandonou a contenção e dispara forte sobre Sócrates e o Governo. Solto e acelerado, dá liberdade à linguagem e diz o que muita gente sente.
OLIVEIRA MARTINS: 13
O Tribunal de Contas, a que preside, arrasa as parcerias público-privadas e o regulador criado por Sócrates. Impressionante a dívida de 2 mil milhões, em 2010, da Estradas de Portugal.
PINTO MONTEIRO: 8
Com destino traçado em caso de vitória do PSD. O seu desempenho à frente da Procuradoria tem sido lastimável. Não se estranha que Passos Coelho lhe aponte a porta da saída.
LAURENTINO DIAS: 6
Insensatez e falta de jeito na forma como se posicionou perante a final de Dublin. Manifestar preferência pela vitória do Braga não só lhe fica mal como revela inteligência insuficiente.in CM - ed. on-line
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